Recentemente, o ecossistema de design foi impactado pelo anúncio e evolução do Figma AI, especificamente a funcionalidade Make Design. Para quem lidera times e define visões de produto em multinacionais, o impacto vai muito além de “gerar telas mais rápido“.
Estamos falando de uma mudança de paradigma na nossa senioridade.
O que é o Figma Make (Design)?
O Figma Make é uma funcionalidade baseada em IA generativa que permite aos designers criar layouts, componentes e estruturas inteiras de UI a partir de prompts de texto. Ele não apenas “desenha”, mas utiliza as bibliotecas e boas práticas do setor para estruturar o rascunho inicial de uma interface.

Do “Fazedor” para o “Curador”
Durante anos, a senioridade em UX foi medida pela precisão do pixel e domínio da ferramenta. Com o Figma Make, o custo marginal da produção de baixa complexidade caiu para quase zero.
- A Mudança: O designer deixa de ser apenas o executor para se tornar um curador crítico. O trabalho agora é saber qual das soluções geradas resolve o problema de negócio e atende às heurísticas de usabilidade.
Velocidade de Prototipação e Exploração
O Make Design permite que passemos da ideação para a visualização em segundos. Isso é um trunfo para:
- Exploração de hipóteses: Testar cinco variações de um fluxo de checkout antes do almoço.
- Foco no problema real: Menos tempo alinhando botões, mais tempo entendendo a jornada do usuário e os gargalos de conversão.

O Perigo da estilização sem substância
Como líderes, precisamos ter cautela. A IA é excelente em replicar padrões (o “average design”), mas ela não conhece o seu usuário específico, as limitações técnicas do seu backend ou a cultura da sua marca.
“Uma ferramenta que gera telas sem estratégia é apenas uma fábrica de interfaces genéricas.”
O Impacto na carreira: Como se destacar?
Se a máquina já faz o layout, o que resta para o Designer Sênior e Lead?
Visão Sistêmica: Entender como aquela tela se conecta com o ecossistema da empresa.
Facilitação e Stakeholders: Negociar prazos, alinhar expectativas e traduzir necessidades de negócio em requisitos.
Ética e Acessibilidade: Garantir que o que a IA gerou não é excludente ou enviesado.

A ferramenta mudou, mas o design continua humano
O Figma Make não substitui o designer; ele substitui o trabalho braçal que muitas vezes nos impedia de pensar estrategicamente. Para as empresas, isso significa ciclos de entrega mais curtos. Para nós, profissionais, significa que a nossa barra de qualidade intelectual subiu.
O futuro do UX não é sobre quem usa melhor o software, mas sobre quem faz as perguntas certas.